Surge um ‘exército’ de Marielles no Rio


Às vésperas de completar um ano da morte da vereadora Marielle Franco, que continua sem resposta, três jovens moradoras do Rio unem forças para seguir com o legado deixado pela parlamentar. Com o olhar voltado para a causa feminina, elas multiplicam informações e não medem esforços para transformar a realidade de mulheres que cruzam seus caminhos.

De acordo com o jornal Meia Hora, na Pavuna, a referência é a produtora cultural Elaine Rosa, que aposta na carreira de DJ para transmitir sua mensagem. Já Karen Kristien, de Pilares, desenvolve projetos que estimulam o interesse cultural de jovens em situação de vulnerabilidade. Em Magé, na Baixada Fluminense, Thábara Garcia criou uma roda de conversas para fomentar a conscientização política das frequentadoras. Esta é a síntese de um movimento iniciado nas ruas, que se transforma cada vez mais em um verdadeiro ‘exército’ de Marielles.

É com voz de quem acaba de acordar que Elaine avisa ao pai que não poderá comparecer ao almoço de família, em Itaboraí. Em meio à correria, a DJ Rainha Crespa, nome artístico, se destaca por apresentar apenas músicas interpretadas por mulheres. A rotina de Elaine passou por uma mudança. O divisor de águas: a morte de Marielle.

“Eu já trabalhava com empreendedorismo social quando ela foi executada. Porém, o episódio despertou uma missão, que é salvar vidas, principalmente as de mulheres moradoras de favelas que sofrem algum tipo de abuso”, afirma.

Uma vontade de seguir a carreira política

O último ano não tem sido fácil para Thábara Garcia. Desde que o crime contra a parlamentar do Psol ocorreu, os questionamentos não param de aflorar. Neste período, a possibilidade de se lançar na carreira política também cresceu. No entanto, o trauma que o caso trouxe ainda lhe mantém fora deste universo. Apesar disso, ela aposta no diálogo como principal arma no combate às desigualdades em seu município.

A jovem é uma das fundadoras da Roda de Mulheres da Baixada, programa criado com amigas, para dar voz e ouvidos às participantes.

“Sempre militei por causas assim. A morte dela (Marielle) me trouxe um impacto muito forte. Foi o que me fez enxergar que era hora de abandonar a militância na capital e voltar as atenções para meu município”, revela a estudante de Administração Pública.

Políticas para favelas

Há pouco mais de sete anos, Karen Kristien conheceu o teatro numa oficina na Biblioteca Parque, em Manguinhos. De lá pra cá, foram vários cursos, debates e projetos culturais. O tempo de bagagem aliado à

despedida da vereadora foram fundamentais para a decisão: cursar um mestrado voltado para a criação de

políticas públicas para atender as favelas. “Acredito que a academia deve caminhar ao lado da realidade”.

Frutos na política

O legado deixado pela parlamentar também já gera frutos na política. Não à toa, nas Eleições do ano passado, uma amiga e três ex-assessoras de Marielle foram eleitas para cargos legislativos. Além da Alerj, elas integram as bancadas do Psol em Brasília. Com mais de 100 mil votos, Talíria Petrone foi eleita deputada federal, a nona parlamentar mais votada no estado. Renata Souza, ex-chefe de gabinete foi eleita com vereadora, com 63 mil votos.

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