MP pede a prisão de suspeitos de roubar e arrastar moça pelo braço com o carro em movimento na Zona Norte do Rio


O Ministério Público do Rio pediu à Justiça a prisão preventiva de três suspeitos de um crime bárbaro. Depois de roubarem os pertences de uma mulher, segundo os promotores, os criminosos arrastaram a vítima pelo braço com o carro em movimento por vários metros. Ela ficou gravemente ferida.

O crime aconteceu no início da madrugada do dia 22 de dezembro do ano passado (2018), na Rua Martins Lage, no bairro do Engenho Novo, na Zona Norte do Rio.

A vítima, de 29 anos, voltava para casa do trabalho quando foi abordada por três homens que estavam num táxi e anunciaram o assalto.

A mulher fugiu subindo uma escadaria, mas dois criminosos conseguiram alcançá-la. Eles a arrastaram pelos degraus até o carro. Com a porta aberta, um dos ladrões a segurou pelo braço enquanto o veículo começou a andar. Foram vários metros sendo arrastada pelo asfalto. A vítima teve ferimentos graves nos joelhos, nos braços, nas pernas e nos seios.

“Eu só conseguia gritar por socorro, mas nada aconteceu. Continuaram (arrastando) por pura maldade. Um casal me viu e pediu socorro. Eu pensei que ia morrer. Quando me largaram mesmo na esquina, fiquei no chão e pensei ‘meu Deus, vou morrer agora’. Tive uma força que levantei rápido e comecei a gritar por socorro”, contou a vítima.

De acordo com o G1, o Ministério Público pediu a prisão preventiva de Davi Marinho Ramalho, Alexandre Ozorio dos Santos e Isaac de Oliveira Silva. A GloboNews teve acesso à denúncia contra eles, pelo crime de roubo seguido de lesão corporal grave.

Se condenados, o trio pode pegar pena de 7 a 18 anos de prisão. Os três estão foragidos, e foram identificados através de fotos mostrados à vítima pela Polícia Civil. Uma quarta pessoa, que dirigia o táxi que arrastou a vítima, ainda não foi identificada. A polícia acredita que possa ser um taxista que era mantido refém pelos ladrões.

“Toda vez que eu lembro daquele dia, fico muito nervosa. Mudei minha rotina. Não saio sozinha, horário nenhum. Vejo táxi e tremo com medo. Tenho que ser forte. Espero que encontrem [os bandidos] e que eles paguem pelo que fizeram”, disse a mulher.

Para o promotor Sauvei Lai, autor da denúncia, a crueldade dos bandidos chama a atenção, já que havia a intenção de matar a vítima.

“Foi um crime que chamou a atenção pela violência gratuita, desnecessária e excessiva contra uma mulher. Ela já estava dominada, rendida, e já tinha entregue os seus pertences aos bandidos. E mesmo assim, eles a espancaram violentamente. E não satisfeitos, ainda seguraram o braço dela, colocando-a para fora do carro e pediram para que o motorista fizesse um zigue-zague. Isso causou vários danos permanentes nela. Além dos físicos, os psicológicos”, explicou o promotor.

Caso João Hélio

Este episódio lembra o caso do menino João Hélio, então com 6 anos, que morreu após ser arrastado por 7 quilômetros por ruas da zona norte do Rio, no dia 7 de fevereiro de 2007. A família do menino foi rendida por criminosos no bairro de Oswaldo Cruz e não conseguiu tirá-lo do carro a tempo. O corpo do menino de 6 anos foi deixado em Cascadura.

Quando a mãe de João Hélio foi abordada por assaltantes, ela pediu a ele e outro filho para soltar os cintos de segurança. Mas João Hélio ficou preso pelo cinto abdominal. Quando ela tentou retirá-lo do carro, um dos bandidos bateu a porta, e os criminosos arrancaram com a criança pendurada.

O crime foi solucionado rapidamente e os quatro criminosos foram julgados em menos de um ano. Eles foram sentenciados com penas de 39 a 45 anos de reclusão.

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