Submetralhadora do mesmo modelo usado no caso Marielle será periciada


O Ministério Público do Rio revelou nesta quinta-feira (30/5) que a submetralhadora MP5, calibre 9mm, do mesmo modelo que supostamente foi usado pelos assassinos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de Anderson Gomes, irá passar por perícia. A arma já foi encaminhada ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), e, segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, os peritos farão a confrontação balística com os projéteis recolhidos no local do assassinato da parlamentar e seu motorista. A submetralhadora foi apreendida nesta quarta-feira em Itaguaí, numa ação conjunta entre promotores da Promotoria de Investigação Penal de Itaguaí, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Grupo de Apoio aos Promotores (Gap) e agentes da 50ª DP (Itaguaí).


A operação levou à prisão de Ruan de Oliveira Dias, conhecido pelos apelidos de Ganso e Traquinas. Durante a incursão, num condomínio, os milicianos resistiram e efetuaram diversos disparos contra os agentes. Ruan de Oliveira Dias tentou fugir pela janela do apartamento, mas acabou capturado. No apartamento dele foram apreendidos quatro pistolas, dois revólveres, uma submetralhadora 9mm, dez rádios transmissores e muitas fardas de forças de segurança e coletes, além da submetralhadora MP5.

Segundo o promotor da PIP de Itaguaí, Jorge Luiz Furquim, uma das armas apreendidas, a submetralhadora MP5 é de alto poder lesivo e de uso restrito. O MP também informou por nota, que a operação foi deflagrada para reprimir um grupo de milicianos que atuam na comunidade de Chaperó, em Itaguaí, e foi realizada no curso de uma investigação.

Vereadora Marielle Franco e seu motorista foram assassinados no dia 14 de março Vereadora Marielle Franco e seu motorista foram assassinados no dia 14 de março
Por ser considerada obsoleta em comparações com modelos semelhantes, a HK MP5 não costuma estar entre as armas usadas em operações no Rio. Segundo um especialista, a submetralhadora deixa policiais em desvantagem durante confrontos com traficantes porque seus disparos não têm longo alcance. Pelo mundo, ocasionalmente é adotada em intervenções contraterroristas. No Brasil, grupos de elite das Forças Armadas a utilizam, e no Rio, especificamente, é empregada por equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil em escolta de presos ou incursões cirúrgicas a comunidades conflagradas.


Na reconstituição do assassinato de Marielle e Anderson, foram efetuadas seis rajadas com armas diferentes — antes de cada uma, policiais acionavam uma sirene, alertando que disparos de balas de verdade seriam feitos em um trecho do Estácio. Peritos tinham como objetivo permitir que quatro testemunhas do crime comparassem o som dos tiros, para apontar o mais parecido com o que ouviram na noite de 14 de março.

Segundo o delegado Moyses Santana, titular da 50ª DP, os milicianos que foram alvos da operação de quarta-feira são ligados ao grupo chefiado pelo miliciano Wellington da Silva Braga, o Ecko, também conhecido como Didi, que atuaria em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Ecko teve ascensão na quadrilha denominada Liga da Justiça, que age em várias regiões da Zona Oeste, após a morte do irmão, Carlos Alexandre Braga, o Carlinhos Três Pontes, também miliciano, em maio abril de 2017, durante uma operação da Polícia Civil em Paciência. Uma fonte da polícia informou que ele estava na festa, onde quase 150 pessoas foram presas e, por pouco, não foi detido.

Na foto, policias junto a um carro, durante reconstituição das mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes. Foto Alexandre Cassiano / Agência O Globo Na foto, policias junto a um carro, durante reconstituição das mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes. Foto Alexandre Cassiano / Agência O Globo Foto: Alexandre Cassiano / Alexandre Cassiano
Na época, a escolha de Ecko, usuário de drogas e apontado como um homem violento, como chefe desagradou e provocou um racha entre os integrantes do bando, que domina Campo Grande, Paciência e Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, além de Seropédica e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A principal briga acontece entre Ecko e Thiago de Souza Aguiar, irmão de Toni Ângelo de Souza Aguiar, também um dos chefes da milícia, que está em presídio federal fora do Rio, por ficou enfraquecido.

Já Thiago está preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste. Ecko é foragido da polícia. Contra ele há um mandado de prisão pelo crime de homicídio. Outro irmão de Carlinhos Três Pontes, Luiz Antônio da Silva Braga, conhecido como Zinho, também faz parte da milícia, mas por ter perfil mais discreto, cuida da parte financeira do grupo. Em maio deste ano, ele foi condenado a 16 anos, 11 meses e 23 dias de prisão por fazer parte do grupo paramilitar.

Ecko é procurado pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). O Portal dos Procurados divulgou um cartaz com recompensa de R$ 2 mil por informações que levem à prisão dele. Contra o miliciano, há um mandado de prisão pelo crime de homicídio.

Extra Online

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