No quarto dia de greve dos caminhoneiros, 95% das lojas já estão fechadas na Ceasa


"Acabou, não temos mais o que fazer", diz com pesar Walter Lemos, presidente da Associação Comercial dos Produtores e Usuários da Ceasa Grande Rio e São Gonçalo (Acegri). No quarto dia consecutivo da greve dos caminhoneiros, é considerada crítica a situação da entidade e comerciantes da maior central de distribuição de alimentos do estado. Segundo o presidente da Acegri, cerca de 95% das lojas da central estão fechadas nesta quinta-feira (24/5).

"Nem a 'xepa' que os empresários lavam para dar para quem precisa tem mais", afirma ele, que ressalta o abastecimento da batata lisa como mais problemático. "Por dia, entram 30 caminhões com esta mercadoria, ontem entraram dois e hoje não entrou nenhum". Um saco de batata foi vendido a R$500,00 nesta quarta-feira.


Lemos diz que alguns clientes já deixaram de comparecer ao local porque acreditam que não encontrarão produtos. Apesar da baixa em vários legumes e frutas, ainda tem mercadorias como a abóbora. "É um prejuízo incalculável. Há 28 anos na presidência da Acegri é a primeira vez que passo por isso", garante. "Todo mundo está sendo prejudicado", conclui Walter. 

Na 'Pedra', o local em que o consumidor pode comprar os produtos em pequenas quantidades, já não há mais quase nada de verdura, legumes e frutas, e a pouca quantidade que tem por lá não será reposta, segundo os comerciantes. Ainda de acordo com eles, eles temem a saída de seus caminhões e dos motoristas serem coagidos pela greve.

Luciano dos Santos de Oliveira, gerente há 10 anos em uma loja — que tem como carro-chefe limão, laranja e manga — conta que o movimento diário de 300 clientes teve uma queda de 70% e por isso vai dispensar 10 dos seus 22 funcionários. "Não consigo nem calcular o prejuízo. Eles vão ter que ficar em casa porque eu não tenho como pagar", lamenta. Segundo ele, os seis caminhões que a loja possui não conseguem buscar mercadoria no interior de São Paulo por causa da paralisação nas rodovias.



Segundo os comerciantes, o aluguel de uma loja pequena na central de distribuição custa R$ 5 mil. Diante da falta de clientes e movimento, alguns funcionários que ainda não foram dispensados improvisaram um churrasco e uma partida de futebol nas ruas da Ceasa nesta quinta-feira.

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