Com poucos ônibus nas ruas, vans nas cobram R$ 5 na Zona Norte do Rio



Com poucos ônibus circulando no Rio por conta da falta de combustível, os motoristas de algumas vans que circulam na Zona Norte do Rio estão elevando o preço da tarifa de R$ 3,60 para R$ 5 nesta quinta-feira 24/5). O DIA flagrou uma das linhas que circulam na região fazendo a cobrança abusiva, um aumento de 42,8%.

"Estão cobrando R$ 5, eles  nem botam mais o preço na van. Algumas linhas não estão nem aceitando RioCard, só dinheiro. Como que eu vou pagar dinheiro, se só tenho RioCard? Isso é um absurdo, já não temos uma van de qualidade, agora querem que paguemos um preço exorbitante. Alguém tem que fiscalizar. Não tem ônibus, muito menos BRT, agora temos que pagar esse valor", disse uma mulher, que preferiu não se identificar.

A reportagem flagrou uma van que fazia o mesmo itinerário da linha 920 (Pavuna-Bonsucesso) fazendo a cobrança de R$ 5. Segundo os passageiros que estavam em um ponto de ônibus em Vicente de Carvalho, veículos que faziam os trajetos Iapi-Penha e Madureira-Centro também pediam o mesmo valor abusivo.

Pontos lotados e poucos ônibus

Os pontos em diversos bairros do Rio, principalmente na Zona Norte e Oeste, estão lotados e algumas pessoas chegam a esperar duas horas para pegarem um ônibus. Foi o caso da administradora Simone Ramos, de 46 anos. Ela não sabia da interrupção do BRT e perdeu 20 minutos andando a estação de Vicente de Carvalho para pegar o Transoeste até a Freguesia. O trajeto que geralmente dura cerca de uma hora hoje pode dobrar.

"Vou ter que agora pegar um para Bonsucesso e de lá outro para a Freguesia. Tenho que chegar lá às 9h, mas acho que não vou conseguir chegar. Estou tentando ir, mas não sei se vou conseguir. E se eu chegar , não sei se conseguirei voltar", disse.


Mesmo sofrendo o reflexo dos protestos dos caminhoneiros, ela disse apoiar a causa. "Eu apoio, é um sacrifício, os preços estão mesmo surreais. É inadmissível pagar na gasolina R$ 5."

Segundo a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado (Fetranspor), o desabastecimento de óleo diesel atingiu "um ponto extremamente crítico para a operação das empresas de transporte público" e redução da frota foi de até 40% na quarta-feira. A Fetranspor disse que o cenário pode ser agravado em até 70% nesta quinta-feira, caso o abastecimento não seja normalizado.



Na Cidade Nova, o segurança Cláudio Pereira, de 54 anos, esperava o ônibus para Campo Grande há mais de uma hora após passar a madrugada trabalhando. Depois de ficar de 6h até as 7h20 no ponto, desistiu e acabou pegando outra linha. "É muito sofrimento, e a tendência é só piorar", disse.

No mesmo ponto estava Laís Souza Dalvato, de 28 anos, moradora da Lapa e que esperava o ônibus para ir para o trabalho em Duque de Caxias. Apesar de ter a opção de duas linhas, a espera também passava de uma hora. "Eu tenho que estar na rodovia Washington Luiz às 8h, já ate liguei para minha chefe para avisar que vou atrasar", falou.

O BRT tem várias estações fechadas em dois corredores do sistema na manhã desta quinta-feira. A concessionária que opera o modal informa que no TransCarioca está fechado o trecho entre as estações de Madureira ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão. No TransOeste, todas as estações na Avenida Cesário de Melo também não foram abertas.

Por conta do funcionamento parcial, diversas estações estão ficando lotadas de passageiros e há atrasos nas viagens. O BRT avisa que as estações vão funcionar "à medida que o consórcio receber frota suficiente para atender à demanda". "O Consórcio BRT lamenta os transtornos ocasionados aos seus clientes", disse em nota a empresa.


Engana quem pensa que a farra dos valores está acontecendo apenas na Zona Norte. Durante quase três horas, O DIA percorreu bairros da Zona Oeste e encontrou Kombis caindo aos pedaços e cobrando quase 50% a mais no preço das passagens. Um exemplo disso era veículos que faziam o trajeto Jardim Bangu-Centro de Bangu, que, num dia "normal", custa R$ 3,50. Nesta quinta-feira, motoristas clandestinos estavam cobrando R$ 6 às 10h.

Passageiros que precisavam embarcar para Santa Cruz, Bangu, Santíssimo, Senador Camará, Campo Grande, Realengo e Magalhães Bastos tiveram que apelar para o transporte clandestino. Tudo porque muitas linhas desses bairros não passaram hoje e o único jeito de locomoção foi embarcar em Kombis caindo aos pedaços.

Na Rua Sul-América, em Bangu, O DIA flagrou uma fila de Kombis piratas à espera de passageiros. A cara de pau era tanta que nem mesmo a 34ª DP (Bangu), a poucos metros de onde eles estavam, inibia a infração dos motoristas. A farra também pôde ser vista na Avenida João XXIII, em Santa Cruz. Motoristas ilegais aproveitaram a greve dos caminhoneiros cobraram quase três vezes mais de moradores de Antares, Cesarão e Três Pontes, comunidades daquele bairro.

Fonte Extra Online

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